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Pré-história da Gravura______ ________________________________________VOLTAR
O homem pré-histórico trabalhava enfrentando enormes dificuldades, pois as cavernas eram muito escuras e quase inacessíveis. Suas obras eram executadas em imensas extensões de parede e nas alturas dos tetos das cavernas.
A maior parte da arte pré-histórica era gráfica, em que linhas desenhadas ou gravadas eram preenchidas com cores. Os materiais de que o artista dispunha eram todos fornecidos pela natureza. A tinta preta era facilmente produzida com madeira queimada, ou seja, o carvão de lenha, e fuligem. A cor vermelha era obtida do óxido de ferro, o amarelo do ocre e o branco de greda branca (giz) moído em pó. Sangue, leite ou gordura eram usados como aglutinantes. Tufos de cabelo, cerdas, penas ou galhos finos serviam como pincéis, caso os dedos do artista não fossem utilizados para realizar a pintura. Cores extraídas da terra eram utilizadas para a produção de gizes de cera e pastéis rústicos, e as cores líquidas eram espirradas com a própria boca do artista. Talvez o material mais antigo usado para o desenho tenha sido o carvão de lenha.
Quando começou a fazer arte, o homem pré-histórico utilizava ferramentas feitas de pedra afiadas para trabalhar superfícies relativamente macias de pedras, assim como ossos, chifres, marfim e argila. Depois que ele aprendeu a produzir instrumentos de metal, ele pôde, então, gravar e modelar materiais como ouro, prata, cobre, bronze, ferro, pedras preciosas e semi-preciosas.
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Mundo___ _____________________________________________VOLTAR
A arte da gravura é um trabalho apaixonante em que o artista faz imagens surgirem de pedras, madeira, chapas de metal e materiais diversos. Essa modalidade de arte pertence a um momento importante da história do homem, que descobriu em cada época o instrumental adequado para dominar qualquer tipo de esporte.
Na Pré-história, nossos ancestrais e primeiros artistas gráficos faziam arranhões e incisões em pedaços de osso, pedra, chifre, pele ou cascas de árvores. Há obras de artes significativas da Pré-história na França, Espanha, Inglaterra, Escandinávia, Alemanha, Áustria, antiga União Soviética e em algumas regiões da África, Austrália e Ásia. Os gravadores de selos e lapidadores de jóias da antiga Mesopotâmia e Egito, os desenhistas de moedas e gravadores de espelhos gregos e, ainda, os etruscos e romanos herdaram as técnicas utilizadas pelo homem das cavernas. Na China, os ensinamentos dos grandes filósofos Confúcio e Lao Tsu foram gravados em pedra e varas de bambu. Este país se tomou o berço dos maiores empreendimentos em arte impressa e publicação no mundo, bem antes de Gutenberg. As gravuras japonesas tinham muitas figuras de divindades e temas budistas. O Ukiyo-e, que exibia um mundo de beleza, através de imagens de gueishas, paisagens, flores e passarinhos, exerceu uma forte influência na cultura ocidental. Podendo ser denominada de mãe da imprensa, com a invenção dos tipos móveis, a gravura trouxe a disseminação do conhecimento através do trabalho editorial, dando ensejo ao desenvolvimento das ciências, artes e cultura em geral. Na América, foram os homens da imprensa, através dos primeiros tipógrafos, que introduziram essa arte no continente. Museus, instituições e colecionadores de arte ostentam, em seus acervos, grandes relíquias da história da gravura. Kitagawa Utamaro, Paul Gauguin, Wassily Kandisky, Edvard Munch, Pablo Picasso, Henri de Toulouse-Lautrec e Francisco de Goya são apenas alguns nomes de magníficos artistas que tomaram o mundo mais belo com suas obras de gravura.
A gravura no Brasil _________________________________________________VOLTAR
A Gravura no Nordeste ______________________________________________VOLTARCom a chegada da corte portuguesa em 1808, instala-se, no Brasil, a imprensa régia. Apesar do presbítero José Joaquim V. de Menezes , em 1801, ter criado a primeira gravura brasileira de que se tem data, a introdução oficial da gravura no país só aconteceu com a chegada da imprensa régia e, depois, com a Casa da Moeda, Os primeiros gravadores foram gravadores-documentaristas (os que vieram com a família real e com a missão francesa), gravadores-técnicos (os da Casa da Moeda) e gravadores-comerciais (os que mantinham oficinas de gravura e estamparia).
A gravura como arte só começa a aparecer no século XX, primeiramente através de Carlos Oswald, que desloca a obra do livro para as galerias, e Raimundo Cela. Mas, foram os artistas Oswaldo Goeldi e Lívio Abramo, na década de 20, que se tornaram os pais da moderna gravura brasileira. O poeta Manuel Bandeira define as xilogravuras de Goeldi: “...têm a brutalidade sinistra das misérias das grandes capitais, a soledade das casas de cômodos onde se morre sem assistência, o imenso ermo das mas pela noite morta e dos cais pedrentos batidos pela violência de sóis explosivos- arte de panteísmo grotesco, em que as coisas elementares, um lampião de rua, um poste, a rede telefbnica, uma bica de jardim, entram a assumir de súbito uma personalidade monstruosa e aterradora. Um admirável artista - .“ (Joeldi foi um companheiro de gravura para Lívio Abramo e, também, sua grande fonte de inspiração. Abramo, na opinião do crítico Jacob Klintowitz é “ artista emergente do proletariado, preocupado com o registro realista da vida e da luta do povo brasileiro”. Carlos Oswald fez um belo retrato da paisagem brasileira e difundiu o ensino da técnica de gravura em metal.
O lituano Lazar Segall fixou residência no Brasil em 1923. Segal é considerado pela crítica como o nosso mais completo artista plástico. “Sem dúvida, o clamor expressionista de suas xilogravuras exerceu forte e indiscutível atração entre os artistas brasileiros, influindo decisivamente no desenvolvimento das artes gráficas no Brasil”, afirma o gravador Adir Botelho.
Outros grandes expoentes da gravura brasileira: Portinari, Iberê Camargo, Maria Bonomi, Fayga Ostrower, Tarsila do Amaral, Anita Malfatti e Marcelo Grassmann.
O cordel chegou ao Brasil com os portugueses e foi introduzido no Nordeste na segunda metade do século XIX. Os primeiros folhetos de cordel não tinham xilogravuras e eram ilustrados apenas com vinhetas. A xilogravura, ou “taco”, da capa só começa a aparecer a partir da década de quarenta.
A gravura popular é uma xilogravura que ilustra as capas dos livretos de cordel. Este tipo de gravura nasce do imaginário de artistas populares, homens simples do sertão e da cidade, escultores, cantadores e repentistas do Nordeste que são, em sua maioria, autodidatas. Seja em feiras, mercados, praças, restaurantes ou praias, onde quer que cheguem, esses artistas atraem a atenção de pessoas curiosas por ouvir histórias mirabolantes de amor, reis e rainhas, monstros sobrenaturais, flagelo das inundações, secas, etc. A literatura de cordel e suas xilogravuras são representações importantes da cultura popular nordestina, rica em elementos folclóricos.
Para produzir suas xilogravuras, o poeta de cordel trabalha a madeira através de um corte vertical a canivete, podendo usar, também, a gilete, o formão, a suvela, a faca de cortar fumo, o estilete, o prego ou raspador. A xilogravura da capa divulga e sintetiza o conteúdo dos livretos. Muitas vezes, além de ser o poeta e ilustrador do cordel, o artista ainda é seu vendedor e editor.
Em Pernambuco, há grandes gravadores populares a exemplo do grupo de Caruaru, formado por José Costa Leite, J.Borges, Dila e Francisco Ainaro. Já em Juazeiro, no Ceará, as maiores expressões são mestre Noza, Stélio Diniz, Abraão Batista e Walderedo Gonçalves. Apear dos dois grupos terem a mesma preocupação com o tema do cordel, eles trabalham a madeira de modo diferente. Os pernambucanos valorizam o domínio dos campos brancos, enquanto os cearenses impressionam pela riqueza de detalhes. Além desses artistas citados, vale lembrar nomes de outros grandes expoentes da gravura popular, tais como: Jerônimo, João de Barros, José Pereira da Silva, Manoel Apolinário, Enoque José da Silva, José de Sousa Vivi, Zé Caboclo, Miguel Cabeção, Severino Marques de Sousa, Severino Gonçalves de Oliveira e José Ferreira da Silva, entre outros.
Após 1965,quando mestre Noza produziu uma coleção de quatorze gravuras representando a Via Sacra, a xilogravura popular nordestina se projetou internacionalmente Segundo Jeová Franklin de Queiroz “...os europeus se viram fascinados pela temática religiosa do artista caboclo. Estavam vendo nele a reedição dos primeiros xilogravadores europeus do período pré-imprensa, os quais, diante da onipresença da igreja na idade média, limitavam-se a temas extraterrestres. Erro de enfoque, porém. No sertão, a religiosidade está condicionada por outro tipo de onipresença, a da calamidade climática".
Além de ilustrar a capa de cordel, a xilogravura popular está, atualmente, inserida em capas de CDs, cartazes, ilustrações, folhetos educativos, estampas soltas de grandes dimensões, álbuns, panos e bandeirolas.
A Gravura na Paraíba________________________________________________VOLTAR
A gravura na Paraíba data desde a Itaquatiara de Ingá ou Pedra Lavrada de Ingá, que é a mais famosa gravura rupestre do Brasil. Os grafismos que cobrem esse imenso bloco são de baixo relevo e possuem seis a sete milímetros de profundidade. Até hoje, a origem da Pedra de Ingá é desconhecida. Alguns cientistas dizem que foram índios que fizeram os tais grafismos, já outros estudiosos atribuem a sua autoria aos gregos, fenícios e à extraterrestres. Vários artistas paraibanos, a exemplo de Unhandeijara Lisboa e Raul Córdula, produziram obras em homenagem à Pedra de Ingá.
No início do século XIX, artesãos e desenhistas usavam máquinas de litografia para imprimir rótulos e embalagens de produtos como sabão, velas, charutos, cigarros e xaropes, entre outros. Apesar desses artigos terem sidos fabricados em escala industrial, tinham um aspecto artesanal .
A literatura de cordel é um outro marco importante. As capas dos folhetos de cordel continham xilogravuras feitas por artistas primitivos, que não dominavam a anatomia humana, mas que conseguiam produzir figuras muito interessantes. José Costa Leite, Leandro de Barros, Mestre Noza , Walderedo Gonçalves, Abraão Batista, J.Borges e Dila são alguns dos principais artistas da ilustração de literatura de cordel.
No século XX, as antigas máquinas de litografia foram aproveitadas para imprimir desenhos de artistas plásticos. Tornou-se uma febre artistas comprarem as pedras e prensas das antigas fábricas. Nesse momento, começam a surgir cursos de artistas trabalhando a gravura como arte. Artur Cantalice foi um dos precursores dos cursos de técnicas em gravura da UFPB.
O Clube da Gravura da Paraíba, fundado na década de 80, não aceita o tradicionalismo da gravura e cria uma linguagem altamente vanguardista, ao adotar métodos de impressão não convencionais, a exemplo da xérox- arte. “O Clube da Gravura da Paraíba é, talvez, a maior vanguarda na arte paraibana, porque eles romperam com a coisa mais tradicional na arte, que é a gravura”, afirma o vice-presidente do Clube, artista plástico paraibano, Diógenes Chaves.
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